quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Espião que Saiu do Frio


Segue o início do capítulo VIII do livro O Espião que Saiu do Frio de John Le Carré.

"A manhã estava fria e a leve neblina úmida e cinzenta entrava pela pele. O aeroporto recordou-lhe a guerra: os aviões semi-ocultos pelo nevoeiro, pacientemente à espera dos seus pilotos; Vozes ressoantes e o seu eco; Um grito súbito e o bater incongruente dos saltos dos sapatos de uma mulher no chão de pedra; O roncar do motor de um avião que parecia estar ali mesmo, a dois passos. Por toda parte, reinava aquele ar de conspiração que se gera entre pessoas levantadas desde a madrugada; Aquele ar de quase superioridade resultante da experiência comum de terem visto desaparecer a noite e nascer a manhã. O pessoal do aeroporto parecia contagiado pelo mistério da alvorada e pelo frio e tratava os passageiros e a bagagem com a atitude distante de homens em volta da frente de combate; Naquela manhã os simples mortais não lhes suscitavam o mínimo interesse."

Livro de trama surpreendente e trechos extremamente poéticos, na minha opinião obra mais completa de John Le Carré.

Nenhum comentário:

Postar um comentário